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    Competência e profissionalismo: mulheres ocupam funções estratégicas na mineração de carvão

    Corajosas, determinadas e competentes, as mulheres atuam em diversos setores da economia e cada vez conquistam mais espaço no mercado de trabalho, inclusive em ambientes predominantemente masculinos. No Sul Catarinense, a força feminina tem ocupado funções estratégicas também na mineração de carvão. São histórias como a da Tairine, Grazielle, Lisiane, Marcia e muitas outras. Mulheres que estão no dia a dia do setor carbonífero e tem, em comum, o orgulho pela profissão que exercem.

    Paixão pelo trabalho e muita força de vontade

    Com olhar atento e passos rápidos, a técnica em segurança do trabalho, Tairine da Silva Motta, percorre as galerias do subsolo da Unidade de Extração Mina 101, da Indústria Carbonífera Rio Deserto, localizada em Içara. Frequentemente, ela acompanha as atividades em subsolo, realizando inspeções tanto em procedimentos quanto em máquinas e equipamentos. Ao falar da profissão, reflete sentimentos de amor e gratidão.

    Filha de mineiro, Tairine iniciou curso técnico em segurança do trabalho em 2013. A efetivação profissional aconteceu dois anos depois, na Rio Deserto. “Sempre gostei da área de prevenção de acidentes e qualidade de vida. Tenho muito respeito e admiração pela categoria dos mineiros, que foi a profissão do meu pai”, disse.

    Atualmente, na Unidade de Extração Mina 101, da Rio Deserto, atuam quatro técnicos e um engenheiro de segurança, escalados em turnos. Além das inspeções em subsolo, Tairine também tem atribuições na superfície, organizando documentos, realizando treinamentos e planejando atividades. “É um privilégio poder atuar em um ambiente onde, além de colocar meus conhecimentos em prática, há muito respeito e educação entre os colegas de trabalho”, disse.

    Segundo ela, capacitação e força de vontade são os ingredientes para uma carreira de sucesso. “Em toda profissão há desafios, mas também grandes conquistas. O importante é fazer sempre o melhor, reconhecendo a própria superação e o crescimento pessoal e profissional”, destaca.

    Visão sistêmica

    Ela é a responsável técnica da mina de extração de carvão da Carbonífera Catarinense, localizada em Lauro Müller. A engenheira de minas e especialista em gerenciamento de projetos, Grazielle Timóteo de Oliveira, acompanha a operação e o planejamento estratégico de desenvolvimento, administrando processos, recursos e equipamentos.

    Grazielle ressalta que, desde a vida acadêmica até os dias atuais, sempre esteve imersa em ambientes predominantemente masculinos e que isso a tornou ainda mais forte. “É um impulsor do meu potencial, para que possa ser reconhecida por critérios que vão além de gêneros. O exemplo de grandes mulheres que conheci ao longo da jornada profissional também alimentou esse sentimento de evolução constante, de demonstrar força e ser resiliente mesmo nas situações adversas”, salienta.

    Para a engenheira, um dos diferenciais da mulher no mercado de trabalho é a habilidade de executar várias tarefas ao mesmo tempo, bem como tomar decisões e resolver problemas rapidamente. “Em minha opinião, a sensibilidade da mulher a torna mais criteriosa, analítica e com visão mais sistêmica”, justifica. Segundo ela, o dia a dia na mineração é um aprendizado constante. “Só de saber que, a partir do carvão, é gerada energia para indústrias, escolas, hospitais e lares, sinto-me renovada”, finaliza.

    À frente da Carbonífera Catarinense também está uma mulher, Astrid Barato. Segundo ela, falar sobre diversidade de gênero no segmento de mineração é essencial para inspirar a abertura do mercado de trabalho.  “As mulheres são capazes de transformar o mundo. Somos tipicamente mais harmônicas, flexíveis e conciliadoras. Na Carbonífera Catarinense temos a honra de contar com mulheres batalhadoras, guerreiras por natureza e profissionais por competência”, destaca.

    Reconhecimento e evolução constante

    A geóloga Lisiane Beatriz Dal Mina é outro exemplo de mulher que atua na mineração de carvão. Ela integra o departamento de geologia, planejamento e pesquisa, da Carbonífera Metropolitana, localizada em Treviso.

    A profissional está há quase 20 anos no setor e atualmente coordena as equipes de sondagem superfície/subsolo e de mecânica de rochas (relacionada às atividades de monitoramento de escoramento do teto nas frentes de lavra e retaguarda da mina). “Também realizo o acompanhamento da geologia da mina, em subsolo, nos conjuntos de lavra. Sou responsável técnica pelas barragens de mineração da empresa e presto suporte nas áreas de meio ambiente e segurança, como auditora líder, além de presidente da CIPAMIN (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes na Mineração) e brigadista”, sublinha.

    Segundo Lisiane, o bom humor dos colegas mineiros e a capacidade de se reinventarem de forma criativa diante dos desafios é algo excepcional. “Sempre me senti bem à vontade entre a equipe, fui acolhida de forma muito positiva, tive e tenho muitos colegas que admiro, que me incentivaram e contribuíram para o meu crescimento profissional”, afirma.

    Com o passar do tempo, conforme Lisiane, as mulheres têm se destacado em diversos setores. “Quando iniciei na atividade, era possível contar nos dedos a quantidade de mulheres que atuavam na mineração de carvão. Hoje já somos dezenas”, enfatiza. Segundo ela, é um orgulho atuar na mineração de carvão. “Minha carreira inteira é pautada pela transformação de um setor que busca evoluir continuamente e que compõe um espaço essencial para o crescimento social através da geração de energia”, ressalta.

    Respeito e educação no ambiente de trabalho

    No mês em que se celebra o Dia da Mulher, ela completa 13 anos de trabalho na Carbonífera Belluno. Estamos falando de Marcia Citadin Fontanela, que é tecnóloga em gestão ambiental e atua na Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) em unidade de mineração localizada no município de Lauro Müller.

    Além da atuação na área ambiental, a profissional também realiza treinamento de colaboradores e inspeções em subsolo, junto aos profissionais da engenharia. “Sempre quis trabalhar na mineração de carvão. Meus dois avôs trabalharam e se aposentaram na mina, assim como meu pai, tios e outros familiares”, disse. Segundo ela, trabalhar no setor é uma realização. “Só tenho a agradecer pelas experiências adquiridas”, afirma.

     

    No ambiente de trabalho, conforme Márcia, o respeito e a educação prevalecem. “Busco executar as minhas tarefas com a máxima perfeição e até esqueço que estou em um ambiente predominantemente masculino”, sublinha.

    Conforme ela, a presença da mulher no mercado de trabalho está cada dia mais forte. “Com competência e qualificação profissional, elas provam que lugar de mulher é, realmente, onde ela quiser”, finaliza.





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